Aqui o espaço é aberto à instrospecção, aos valores da alma, aos sentimentos humanos. Aqui é campo livre ao devaneio que amadurece ideias, que constrói sonhos, que concretiza a reflexão. Aqui é um convite livre ao deleite!
Sou peso leve de se guardar nas algibeiras do coração Ou de se disfarçar abandonado entre os búzios vários da praia. Sou o perfume que anseia por seduzir Ou a brisa leve que se confunde num dejá vù. As dores podem me desolar, mas nenhuma me aniquila. Da pior treva, consigo consolo no escuro. De definitivo não tenho nada, mas sonho. E é nesse espaço onde coleciono as esperanças que me inspiram seguir em frente. Hérlon Fernandes Gomes - Brejo Santo - CE 05/03/2013
Não se deve temê-la, Não se recomenda esperá-la nem cultivá-la. A solidão é sufocante quando comiseradamente idolatrada. Deve-se recebê-la, aceitá-la, compreendê-la. Ela é nossa capacidade íntima de tolerância, É o espelho refletor do quanto nos suportamos; É o silêncio, lousa limpa e aberta aos nossos questionamentos mais secretos. Se a solidão te desola, ela pode ter outra faceta, Não escancaradamente óbvia... É preciso se despir, É preciso se desafiar E encarar o inimigo mudo que também habita esse escuro. A calada solidão pode te cantar surpresas felizes, Alimentar forças de lucidez que nem julgavas possuir. Eras de renovação hão de surgir E esse poço aparentemente aterrador Será um conforto necessário. Hérlon Fernandes Gomes 02 de Fevereiro de 2013.
E quando eu remexo nessas fotografias e escuto essas canções que construíram um tempo feliz, minha alma dança em mim e eu me espalho todo feito perfume no tempo.
Então eu percebo o quanto as maiores felicidades da vida consistem em momentos efêmeros que, num pequeno espaço de tempo, eternizaram-se nas nossas lembranças, através de gostos, toques, risadas, beijos inesquecíveis, viagens únicas...
Por mais que tivéssemos vivido isso pelo tempo que fosse, ainda assim pareceria insuficiente perto da nossa sede insaciável de ser feliz.
Quando eu remexo nesse baú de lembranças, eu sou feliz novamente. Meu coração se acende em arrepios de alegria e isso é a melhor constatação de que estar vivo vale a pena, de que poder reencontrar velhos amigos, surpreender-se com amores do acaso, aventurar-se como adolescente... tudo isso é o que dar cor ao mundo, é o que justifica nossa natureza pura.
Na madrugada, só lembranças e
anseios me embalam; só saudades de felicidades instantâneas me assombram; só a
cinza do cigarro e desejos órfãos me respondem....
Eu procuro me abandonar desses
fardos imateriais, da angústia inevitável que se cria feito corais na minha
alma.
Então eu corro para o mar quando amanhece. Eu respiro fundo diante da praia, porque essa imensidão me abstrai e dilui meus quebrantos no balanço das
ondas. Sim, é preciso lavar essa tristeza antes que ela transborde; é preciso esvaziar
o salão para quando a felicidade chegar, encontrar tudo limpo, com luz de verão
e sabor de maresia.
Vamos lá, grande vivente, arrume
a aba do chapéu, ensaie um novo sorriso
ao tempo!
Hérlon Fernandes Gomes
19 de Junho de 2012.
Fotografia tirada no mar cearense. Praia de Morro Branco - Beberibe (Março de 2012)
Fecha os olhos lentamente. Visita
o interior do teu coração e abre as janelas para espantar as brumas. Reorganiza
tuas lembranças, apanha os cacos de vidro – resquícios de uma tempestade
indesejada, mas necessária.
Quantas vezes o inverno te
visitaste quando teu coração era tropical? Quantas vezes o viajante aventureiro
pouco se importou com teu jardim bem cuidado e pisoteou desleixadamente as flores ainda orvalhadas? Ainda assim o sol
continuou a brilhar, a chuva cumpriu a promessa de chegada e tuas mãos tiveram
disposição e encanto para evocar e despertar novamente a primavera.
Na tua solidão, sonda tua
tristeza e escolha um sonho que possa fazer sombra sobre esta. O silêncio
solitário pode te contar segredos de libertação.
Ao revirar tuas saudades, procura
valsar nos recantos onde teu coração aprendeu a ser feliz, para que teu desejo
queira novamente reencontrar esse itinerário guardado na memória indelével da
tua alma.
Queima as cartas melancólicas,
humilhadas e jamais enviadas. A tristeza alimentada pode ser um rio a crescer
caudalosamente para te sufocar na frente,
entre as pedras amoladas de remorsos sem porquê.
Se ainda assim naufragares, mira
o azul do céu e lembra que há um Deus, que por tua fé, pode te resgatar de
qualquer hecatombe.
Sempre há tempo para a novidade.
Sempre há esperança para descobrir que o brilho do teu olhar vale mais que ouro
e prata.
Que tua promessa de felicidade
seja a oração constante nos teus lábios – o teu querer mais profundo! E que o
amanhã seja a distância mais longa até a alegria desejada.
Hérlon Fernandes Gomes
Guajará-Mirim, Rondônia.10 de Abril de 2012.
P.S.: Para Ivan Frank Bezerra de Araújo, meu amigo-irmão, que sempre me colocou no altar da mais plena esperança, mesmo quando injustamente me julgava no fundo poço. Que você seja sempre a fortaleza de auto-estima que me inspira.
Sedução. Desejo.Sorriso. Entrega de beijo sem fim, sem
demora. Duas línguas navegando pela madrugada. Corpos em primavera, perfumes
inéditos.Descanso, cansaço.Vontade de que o tempo se prolongue, que os
segundos sejam preenchidos com toda a massa da vida. “Nós somos tão íntimos há
quanto tempo¿”Skin. Sweet lips.Foi um punhado da melhor felicidade sob o
manto do charme.O que vai ficar¿A lembrança macia e colorida do teu ser – meu
feitiço de eternidade dessas horas.
O ser humano é um bicho de
esperanças inacabadas, intermináveis. A insatisfação nos é essa fome constante
a exigir do mundo as plenitudes de
felicidades existentes somente nos nossos desejos, nos nossos “ses”.
Somos mendigos assumidos a
pelejar pela rica e imaterial felicidade.
Hoje, dormi durante a tarde
inteira. É um dos meus maiores luxos. Acordo espantando a preguiça, esticando
braços, pernas... Levanto mais feliz. Esquento água, faço meu chá, ligo o som e
me preparo para pedalar pelas ruas desta cidadezinha amazônica, onde o sol, no
seu descansar, parece ter sido multiplicado por uma infinidade de vezes em
tamanho.
E corro pensando no homem... E
corro pensando em mim, nas minhas exigências, nos meus lamentos, nas minhas
inquietudes... Às vezes me pego sorrindo quando uma lembrança feliz me cutuca a
alma e eu só queria mais e mais desse caleidoscópio guardado a ilustrar meu íntimo
com as tremeluzentes luzes da saudade.
Não, eu não fico desolado. A saudade nem sempre precisa ser um marco
definitivo do que foi sepultado. Ela é nossa memória sensitiva a nos despertar,
no mais das vezes, que as alegrias podem se reconstruídas por incontáveis vezes
no nosso ser. Então eu me apercebo que tenho tempo, tenho coração, tenho alma,
tenho vida e paro para me dizer que essa pressa em ser feliz não pode nem deve
nos afobar, porque a procura é o que nos move, é o que nos impulsiona. O
alpinista, ao chegar ao cume da montanha, demora menos tempo a contemplar essa paisagem
do que a escalar, a desejar e imaginar como é o alto.
O definitivo, o acabado, o pleno
têm qualquer coisa de morte e estagnação em si. Já encontrei muitos potes de
ouro em finais de arco-íris, mas nenhum se apresentou como o tesouro necessário
às minhas ambições de menino, de homem, de santo.
Hei de procurar até o fim, em
tardes assim, em que a neblina desenha pontes nos meus sonhos, mais uma porta
para essas sensações que me abram sorrisos e que me digam que VIVER é a melhor
coisa que existe.
Hérlon Fernandes Gomes
Guajará-Mirim, Rondônia - 08 de Fevereiro de 2012.
Ficou um silêncio tão grande deixado por tua ausência, que minha alma conseguiu ouvir as paredes balbuciarem uma oração de misericórdia a suplicar por teu retorno.
Ficou um frio tão grande nessa alcova, capaz de despertar espinhos na minha pele,
Por isso me cobri no calor do cigarro que odeias, mas aqui já não estavas para insultar meu beijo de nicotina.
Ficou um descampado tão grande neste quarto, que imprime à Nossa Senhora na parede uma maior compaixão por meu desterro.
Ficou um desvão tão grande no meu coração, que preciso me conter para não me evaporar nas lágrimas que se juntam na atmosfera quente desta última lua cheia de dezembro.
Hérlon Fernandes Gomes, Rondônia - 11 de Dezembro de 2011
P.S.: Para Alexsandra Meira Vasconcelos, que tem um coração que pulsa poesia.
Do inédito Lúmen - De corpo e alma - Poemas Profundos.