segunda-feira, 7 de abril de 2008

EU, O INVERNO E DEUS

Há sono em minha alma, mas uma necessidade insistente de permanecer acordado. Estou esquecido do tempo; ele não está de mim. Minha vida foi abençoada com uma alma vibrante, inquieta; percebo-me singular diante da existência. Faz frio. Tem chovido muito nesses dias; mas a nublagem não me entristece - parece comungar comigo de algo secreto, parece imitar-me de uma maneira cúmplice. Já esqueci de gritos do passado, meus medos ganharam novas nuances; são quase todos inofensivos... Exijo muito de mim, insatisfaço-me quase sempre... O que somos nós? Meu silêncio tem sido meu mestre e pareço me preparar numa mutação que só eu e Deus percebemos. Deus. Ele divide um café amargo comigo, acompanha-me na neblina fina da tarde que se faz noite diante desse céu cinza... Eu tenho minha não-receita de felicidade e ela me basta, não preciso que me preparem os caminhos, que me dêem mapas. Preciso desvencilhar-me desse mundo concreto, da ausência de lucidez, desse automatismo que faz a humanidade esquecer de que o humano é também espírito... Minha seriedade não precisa se confundir com tristeza; meu recolhimento nem sempre tem sabor de solidão... Qual meu maior pecado, Deus? Sou fraco porque sou esse enigma... Tens todas as respostas, Deus? Alivia um pouco o peso das minhas dúvidas...

Hérlon Fernandes Gomes, 07 de Abril de 2008 - Brejo Santo - CE.
P.S.: Para César Lobo, pelas conversas agradáveis que me rendem produções assim; para Candice Cardozo, Marcela Rodrigues, Révia Mara, Danielle Orenstein e minhas irmãs Helaine e Heloísa - mulheres de alma pronta!

6 comentários:

  1. Talento. Essa é a palavra que utlizo para expressar minha opinião sobre alguém de tão profundo sentimento e que consegue usar a palavra para um sentido maior da vida. O sentido do amor. Falo daquele amor que deveria ser a mola mestra do mundo. Foi assim que Deus quis no início dos tempos, mas o homem preferiu o contrário. E de repente, não mais que de repente, encontro Hérlon pelas picadas da vida. Uma pessoa que possui esse entendimento do qual me referi, quando citei o amor que Deus nos deixou de herença.
    Em “Eu, o inverno e Deus”, a simbiose entre os três temas gera todo um fascínio pelo enigma e pela incógnita do Lobo, que solitário, passou a ser compreendido por alguém, em meio a tantos anos de solidão. Outrora, só conseguia ter Deus como companhia de sua jornada. Hoje foi mais além e deixou-se perceber por alguém de olhar tão penetrante e inquisidor.
    Na vida têm-se três caminhos à percorrer: O do Amor, O da dor e O da paciência. È preciso trilhar cada um deles para se alcançar uma visão ampla de ser humano. Todos nós temos uma chance de fazer a diferença em cada momento, seja ele de amor, de dor e de paciência. E aqui me deparo com alguém de alma simples e expressiva dentre tantos cidadãos comuns. Hérlon, continue a batalhar pelos seus objetivos, pois Deus é contigo e ele vai fazer descer chuvas de bonança sobre sua vida. Nunca duvide disso. A fé, pode fazer o que parece impossível se tornar realidade na frente de nossos olhos. Abraço para ti, meu amigo querido.

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  2. meu caro hérlon,

    Deus está naquilo em que nos transformamos, dia após dia. no entanto, é preciso perceber os Seus desígnios encasulado, em silêncio, pra ouvir verdadeiramente o plano. aquele plano que Ele, com a nossa ajuda, traça pra cada um a seu tempo.

    as dificuldades, o crescimento, os silêncios, a espera e a falta de luz, fazem com que, a vinda do próximo passo, da próxima etapa, seja ainda mais gratificante. e só os sábios entendem isso, sem que se lastimem no caminho.

    você é um sábio, e usa a sua palavra na hora certa.

    [aproveite a vida, meu amigo]

    lindas são as suas palavras.

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  3. Marcela Rodrigues9 de abril de 2008 08:30

    Meu amigo, que mesmo distante fisicamente continua a me trazer surpresas e felicidade!!! Encontrar-te sempre faz do meu dia um dia melhor. Nem que seja aqui... Saudades eternas de um tempo muito, muito bom!!!!...

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  4. Muito reflexivo, é muito bom encontrar neste texto, palavras tão bem colocadas, principalmente no que diz respeito às nossas dúvidas, nossa incapacidade de entendimento muitas vezes presente; o tão necessário silêncio de nós mesmos, o qual muitas vezes fala mais que mil palavras (ou imagens). Só posso então te parabenizar pela forma tão próxima com a qual se expressa. É um talento, sem sombra de dúvidas...

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  5. Meu amigo,
    Nossa amizade realmente independe de quao frequente nos falamos. Ela já se provou sólida e trancedeu muitas limitações.

    Lindo o seu texto como tudo que você escreve.

    Estas dúvidas da vida nos tomam de forma a tomar conta de nós por completo. Eu sou particularmente a favor do questionamento e da constante busca de explicações para me auto-interpretar. Porém esse questionamento vez ou outra me deixa inquieta e confusa, tirando a minha paz. Às vezes penso que a ignorância é uma benção.

    Como comecei por este texto, ainda não tive o prazer de delinear opiniões sobre os outros tantos texto que você já postou.

    Tenha certeza que o farei assim que minha rotina opressora resolver me dar uma trégua.

    Beijo grande,

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  6. Seria impuro pensar que somos criaturas errantes demais para um mundo tão materialista?
    A certeza da felicidade não parece ser mais forte que a da dor.
    Dor que degenera o corpo e regenera a alma para o adiante.
    Penso que seria mais fácil se tivéssemos as respostas para as perguntas mais perturbadoras.
    Mas será que não seria covardia?
    Compartilho desse café amargo.
    Aprendi a apreciar o aroma e o gosto de um bom café.
    Comungo dessa forma robusta de não saber o que vem pela frente, e mesmo assim se sentir forte pra enfrentar o incerto.
    Abração amigo.

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