Aqui o espaço é aberto à instrospecção, aos valores da alma, aos sentimentos humanos. Aqui é campo livre ao devaneio que amadurece ideias, que constrói sonhos, que concretiza a reflexão. Aqui é um convite livre ao deleite!
sexta-feira, 7 de maio de 2010
POEMA A MANUEL BANDEIRA
POEMA A MANUEL BANDEIRA
Queria ser o doce
No fim do fel que se dissolve
Na ponta da minha língua,
No fim do nosso beijo.
A música aos poucos me devolve a calma
E eu passo a sonhar...
Como antigamente.
A saudade sempre me consola
E dela eu extraio lembranças boas
— O combustível necessário para seguir em frente.
Procuro a felicidade pelos cantos:
Às vezes, uma pálida luz que se esconde;
Noutras, um perfume adocicado a fugir
Entre becos, nos cajueiros virgens da praia.
Espero o sono.
Ele me traz sonhos encomendados
Em que sou amigo do rei
E amante de qualquer mulher,
Na cama que escolherei.
Hérlon Fernandes Gomes
(Do inédito LÚMEN, ou DE CORPO E ALMA, Poemas Profundos)
domingo, 18 de abril de 2010
Crônica de saudades
terça-feira, 16 de março de 2010
Expressão do inexprimível
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
CÂNTICO DE LOUVOR À ESPERANÇA
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
A VIAGEM
A VIAGEM
Os marmeleiros exalam seu perfume verde pelo Ar,
Há uma brisa a esfriar de conforto minha alma,
O Universo é todo o céu que se me emoldura.
Quem suspenderá os astros para que o Céu não caia?
Quem comandará a engenharia do Tempo para que Ele nunca se atrase?
O Inverno estende seu véu de noiva - colorido de Esperança.
Quem terá a aquarela do céu, nos azuis do Dia e da Noite?
Quem ordenará à Lua para que inicie seu reinado?
As volúpias parecem ser mais ardentes cobertas de luar...
Quem despertará a Terra para que nasça em flores?
Onde morará o perfumista da Primavera?
A vida deve ser guiada pelo Sonho, pelo Amor, pela Paz...
Quem ainda terá os olhos da Alma?
Quem ainda verá o Sagrado nas coisas mais simples?
O Crepúsculo é um diamante do Mar de Deus a luzir sem vaidade...
Hérlon Fernandes Gomes
04 de fevereiro de 2010
P.S.: Para quem possui os Olhos da Alma.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
MINICONTO APAIXONADO
Sentia-se mais vivo, sentia-se iluminado.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
PEREGRINA CANSADA
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
ESTRANHEZA ILUMINADA
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
O CANTO DO VIM-VIM
sábado, 7 de novembro de 2009
MIGALHAS
Não agiriam como estranhos naquela noite. Teriam piedade de si mesmos, criariam uma atmosfera de intimidade que lhes permitisse montar a cumplicidade que tanto desejavam. Dividiriam suas químicas, enganariam seus próprios corações com mais um amor descartável, com aquela felicidade que se rasga assim como a cigarra, de uma vez só.
Dormiriam abraçados, como se se conhecessem de outras vidas.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Diário de viagem
O que fazer quando se está sem inspiração? Só escrevo inspirado... Viajei esses dias, na tentativa de que algo novo me fizesse trazer uma nova cor às palavras. Encontrei lugares lindos, vivi momentos únicos, mas a palavra não é capaz de dizer a emoção do que vivi; não é capaz de corporificar o que gostaria de escrever.
Sinto-me impotente, procurando uma linguagem que só fala intimamente na alma de cada um de nós: uma energia que se compara a quando a gente se arrepia de felicidade; quando a gente fica surpreso demais com um presente perfeito e, de tão bobo, não consegue agradecer à altura. Estou transbordado até então, cheio de uma ressaca de paz que me sufoca a escrita. Resolvi postar a fotografia para que me perdoem a incompetência de poeta.
Hérlon Fernandes Gomes

P.S.: Fotografia tirada em Barra Nova, praia do litoral leste cearense pelo amigo fotógrafo Aragão, que registrou perfeitamente a atmosfera muito além do que as palavras poderiam dizer.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
NO DIVÃ
Doutor, meus amigos enlouqueceram e eu ainda duvido se minha lucidez também não está corrompida. Sim, continuo seguindo suas recomendações. Não, eu não estou deprimido... Angústia é depressão? Angústia de hoje não saber se estou sentindo as coisas da maneira como deveriam ser sentidas. É, eu sei que o coração e o espírito não precisam de um manual de instruções; eu sei que preciso descobrir, em minha fraqueza, a minha fortaleza... Eu só não queria estar obrigado a ter de ser feliz como todo mundo, doutor. É por isso que estou aqui. Minha felicidade exige tão pouco de mim... Não preciso do muito deles para que meu sorriso seja sincero...
Sabe, doutor, continuo a sentir aquela podridão no ar. Ela se desprende de algumas pessoas e isso tem se tornado cada vez mais frequente e insuportável. Eu desconfio que essa fedentina tem mortificado parte das almas do planeta. O senhor também não percebe que algumas pessoas, além de empestarem o ar, têm perdido uma certa luz dos olhos? Claro que naõ comentei isso com mais ninguém! Eu sei que isso parece loucura... Esta semana estive no banco e vomitei ali, na frente de todos, porque a carniça sufocava-me. Sei que o senhor tem me proibido de visitar bancos, mas no mundo de hoje... Ali parecia um açougue de carnes apodrecidas... Outra coisa inusitada tem acontecido. Agora passei a enxergar os sonhos mais ambiciosos deles, doutor... São coisas tão mesquinhas que eu me envergonharia de contar ao senhor. São sonhos de esperanças apodrecidas, porque deixaram se transformar simplesmente no que podem comprar. Quando seus ideais não são atingidos, já sem alma, se transformam em zumbis e passam a viver numa espécie de limbo, atormentados por medos sem porquês, onde tudo perde o sentido. Percebo que alguns, doutor, resgatando um fio de esperança e fé, despertam do transe e reencontram o prumo.
Sigo à risca as suas recomendações para não me tornar um deles. O cheiro dos cajueiros de setembro tem me ajudado a dissipar esse cheiro ruim; as acácias em flor alimentam mais e mais a luz que me põe em equilíbrio comigo mesmo; nos momentos de solidão e medo, entrego minha alma a Deus e rezo. Tenho bebido algumas estrelas na madrugada e me banhado nu no olho nascente das águas – tudo clandestinamente, doutor! Se eles souberem que ando fazendo essas "maluquices", mandam me internar...
Hérlon Fernandes Gomes
10 de setembro de 2009.







