
P.S.: Queimei todas as nossas fotografias.
Aqui o espaço é aberto à instrospecção, aos valores da alma, aos sentimentos humanos. Aqui é campo livre ao devaneio que amadurece ideias, que constrói sonhos, que concretiza a reflexão. Aqui é um convite livre ao deleite!


Era uma solidão desoladora. A velhice combinou-se também à saudade. Tantas pessoas importantes na vida de qualquer ser humano normal, perdidas durante estes longos anos: pais, marido, as irmãs mais unidas, tantos amigos... Criara tantos filhos... A casa às vezes revivia épocas passadas. O tempo passava lentamente e fazia a velha senhora relembrar, para não enlouquecer, esses momentos vivos.
Os sentimentos exalavam cheiro de baús esquecidos, onde ela atestava as felicidades do passado. José, Isaura, Miguel, Alice... Nomes que só eram reconstruídos porque apenas ela vivia sobre esta terra. Todos se foram... Sua vida passou a ser um fardo para si mesma? Tinha medo de estar concordando com isso...
Suas companhias freqüentes tornaram-se em um gato, um sabiá e algumas plantas no jardim, que definhava à medida que sua artrite consumia-lhe os ossos. As tardes vez por outra ganhavam cores, quando desenterrava da estante os velhos vinis... Lembrava que já pôde dançar, que os perfumes enfeitiçaram sua mente com outros desejos...
Um disco de tango tocava no presente, tocava no passado... Diante do espelho ela se assustava; aceitava, perplexa, essa erosão do tempo que se vingava de sua graça. Diante da penteadeira, deparou-se com objetos sem serventia: uma caixa de pó, um batom, um perfume vencido, uma presilha de madrepérola. Penteou-se e seu cabelo denotava que o tempo teimava em apagar suas cores; ajeitou a presilha a um canto do cabelo – como no passado. O pó de arroz acentuou-lhe a fantasmagoria; o carmim nos lábios, os traços cômicos (?), trágicos (?)...
Reconstruiu-se no passado, era tão leve e cheia de esperanças... Ia valsando tropegamente pelos mosaicos encardidos. Reencontrava os nomes do passado, conversava alto, até que o disco acabava... Um dia fora pega de surpresa pela visita inesperada da filha, pintada dessa maneira... “Uma velha gagá”, quem havia pensado nisso? O que é a senilidade? No que a solidão nos transforma? Por que a velhice em sua vida fora sempre um eterno outono?
Hérlon Fernandes Gomes
13 de fevereiro de 2009 (sexta-feira)

E vai ter somente gosto de desejo, não mais aquela vontade doída de ser a parte de alguém, de me depender. Vai ser bom me perder um pouco de mim, sem precisar ir tão longe nos meus limites... Vai ter gosto de aventura, de mim me bastando, sem me perder num vazio sem nome. Eu rirei do tempo, das coisas que fiz sérias demais e que não mereciam uma noite de insônia, porque todo o solo pisado é agora conhecido, todo sentimento já tem um reflexo nas paredes do meu coração.
Deixei de ser selvagem. Eu me domestiquei na mesquinhez dos homens, na sede dos poderosos, nos desejos de luxúrias indecentes. Tudo vai ser mais fácil, porque eu li Drummond e ouvi Chopin quando me navalharam a alma. Qualquer dor agora sangrará menos, já que todo antídoto se destila
Continuarei a nascer como as flores silvestres que perfumam as colinas intocadas; como a pérola cravada no mais profundo e inacessível coral. Porque agora aprendi a me sentir, a me querer bem. Agora descobri o que realmente me importa, aprendi a construir o que me felicita, pois o destino nos pertence.
A inveja dos infelizes me causará piedade. Entregarei ao Pai essa fraqueza dos homens sem fé e estamparei meu sorriso. Cultivarei essa vontade insaciável de amar e buscarei sempre a felicidade: esse sentimento incompleto, essa vontade ininterrupta que me preenche e nunca me satisfaz plenamente.
Hérlon Fernandes Gomes
23 de Janeiro de 2009.
O Cariri é uma região que se destaca, no cenário cearense, por sua independência cultural, principalmente. O Crato já tem cara de vanguarda e impressiona não somente pelos artistas que abriga, mas pelo público de fino gosto quando o assunto é arte.
A comunidade intelectual vibrou de expectativa pelo retorno de Adriana Calcanhotto e seu show Maré.
A noite escura, prenúncio de inverno, fez com que algumas pessoas temessem a chuva. Mas São Pedro e Santa Clara certamente colaboraram. A única estrela da madrugada era ela: Adriana.
O West Card Hall estava apinhado de gente, que se dividia entre os pagantes da pista e do front stage. A princípio, aquele apartheid incomodou quem não foi informado sobre essa divisão; por outro lado, os fãs mais calorosos não se importaram em pagar um ingresso mais caro para estarem mais próximos da queridinha da MPB.

Entrou radiante, usando vestes em tom rubro que fizeram lembrar o parangolé pamplona. Salientou a satisfação de estar retornando ao Cariri e foi deveras convincente. Não se apavorou diante de uma falha do som, que deixou todos no silêncio por cerca de dez segundos.
A iluminação em tons azuis e o palco completamente aberto atrás, com a noite negra caririense como pano de fundo, foi o cenário para a performance da artista.
O show MARÉ encantou. O novo álbum é de uma poesia pungente, trazendo composições profundas, como SEU PENSAMENTO e TEU NOME MAIS SECRETO à rítmica PORTO ALEGRE. A cantora não deixou de revisitar seus sucessos, como MAIS FELIZ e VAMBORA, transformando a platéia num coro absoluto.
Injustiça seria não reconhecer o trabalho dos músicos que a acompanham. Eles são a harmonia do show: Alberto Continentino (baixo, guitarra, escaleta, vocais e berimbau de boca), Bruno Medina (teclados), Domenico Lancellotti (mpcs, bateria, percussão, baixo e guitarra) e Marcelo Costa (bateria e percussão)
O figurino da Partimpim impressionou por sua discreta elegância: saindo do vermelho incandescente a um azul mais suave até um sobretudo de veludo azul escuro.
Adriana Calcanhotto é dessas artistas que possuem um encanto especial. Não resistimos ao canto da sereia. Permanecemos hipnotizados e já saudosos de sua presença.
Hérlon Fernandes Gomes
P.S.: Escrito originalmente para a coluna do site www.caririfest.com.br
— Falar de dor nenhuma, rapah! A gente às vezes prefere não enxergar o óbvio, a gente prefere se cegar e criar o espetáculo com as coisas que a gente imagina existir. Eu quis te avisar, mas aí não tem graça, federal. O lance era você descobrir por si mesmo, assim tu fica macaco velho e não vai meter mão em cucuia cheia de abelha. Mas não foi bom? Não se banhe nessa dor que você não deve carregar sozinho nem atire pedra em quem não deve. Não tem culpado, porra! Nesse lance ninguém é culpado de nada, todo mundo é vítima. Nesse jogo, mano, ninguém conhece as cartas, a gente arrisca as jogadas. Muitas vezes o suposto adversário joga a carta amiga e pá: bateu!
— ...
— Espere o tempo e analise os fatos. Muito pequi tem dentro desse baião. Muitas surpresas estão por vir. Eu desconfio que você ainda está equivocado... Normal... Calor da confusão, essa raiva guardada... Cuidado pra não despejar num inocente. Humilhar os outros pra encher o ego da gente não é atitude de quem precisa ter fé, ainda mais no que é mais conveniente de você acreditar. Mais tarde você vai compreender melhor.
Hérlon Fernandes Gomes
P.S.: Observando um amigo consolando outro. (Divina comédia humana - onde nada é eterno!)

Dentro dela, eclodira um eu que a fazia se desconhecer de si no passado. Já não interessava saber como tudo ocorrera, pois era uma mutação íntima da alma. Foi permanecendo mais no silêncio, no campo das questões que dimensionava como grandiosas. As desilusões do amor foram tornando-a fria, ensimesmada, enrijecida por esse gelo.
Foi nesse campo selvagem que sua exuberância feminina mais se fez destacar: como uma planta no auge do viço. Tornou-se mais viva, mais crua; nisso seduzia-se por todos os prazeres proibidos – presenteada como por um feitiço que a fazia saber dosar o limite entre o antídoto e o veneno. Gostava-se no espelho: seu corpo era sua arma. Agraciada pela beleza sutil da latinidade brasileira, riso misterioso, sua presença a definia. Todos os homens que queria, teria a seus pés – era tudo sempre tão simples... Aprendera a se divertir com o prazer dos rapazes: sabia confundi-los, rendê-los às próprias vontades. Exalava um perfume encantatório, do fundo desse âmago enegrecido pela desilusão. O capricho do tempo foi torná-la indiferente ao que despertava fortemente nos outros.
Enchera-se de atitudes secretas, vagando num mundo novo, aberto no seu íntimo; uma dimensão nascida imersa nas culpas que criara. Dentro dali, seu espírito foi ficando seco e sem brilho; por outro lado, a seiva da vida tomava conta de sua roupagem. (As rosas parecem buscar o melhor de sua plástica no frio da noite, na umidade do orvalho, no silêncio da madrugada...)
Para todos os homens que enfeitiçava, gostava de tentar ser a mulher perfeita, a ardente amante, a fiel confidente, a independente, a mãe... Aprendera a colecionar as armas mais certas e a conhecer melhor como eles pensam. Enchia-nos de promessas, sabia despertar o melhor calor da paixão, aguçar o mais vadio desejo só para depois voltar e massacrá-los com sua frieza gentil, já que sempre encontrava a maneira exata de torná-los culpados por não conseguirem fazê-la amar.
Não, ela não era feliz – nem se lembrava mais como era isso. Talvez, o pior de tudo fosse nem querer se lembrar dessa sensação. Nem isso causava sofrimento – estava imune a qualquer espécie. Foi ficando primitiva, perdendo as ambições de uma vida comum. Movia-se por essa vontade de se vingar do tempo.
Como se tornara assim? Um coração desiludido perde sua forma original, de maneira irreversível... Estivera se armando desde então, num processo involuntário que lhe rendia esse veneno negro. A natureza humana moldou-lhe de acordo com as necessidades da selva moderna. De que lhe importavam as mentiras, esperanças, amuos dos homens?... Agora, atacava com o que um dia fora destruída.
Tornou-se puramente nessa sedução visceral. Sua parte sagrada estava morta. Ela era uma noite sem sono.
No começo, sentiu medo de si mesma. Houve um tempo em que fora frágil, que o nome dele a atormentava de maneira compulsiva. Agora nem mais sabia o eco dessa palavra. Aprendeu a não mais precisar do outro, a não se entregar, a não se decepcionar.
Entrou no bar. Frio de madrugada. A música soava agradável, nem sentia os próprios passos, e não tinha medo dos presentes. Sua sensibilidade estava entregue a vícios que a transportavam a outras dimensões... O ambiente era de penumbra, pequenas mesas, quatro pessoas, duas; em cada canto mais escuro, vultos indefinidos... Os garçons equilibravam-se entre bandejas e pedidos.
Sentou-se em frente ao balcão e acendeu um cigarro. Naquela noite, queria roubar dos outros qualquer coisa que tornasse sua noite em algo interessante, mas nem sabia quais suas reais expectativas. Pediu um uísque duplo, com gelo, só. Ela era quem naquela noite, sem nenhum conhecido? Gostava do anonimato.
No canto, uma cena a fez descer, de um só gole, a bebida. Não estava tão anônima assim... Um casal de namorados divertia-se a quatro mãos postas sobre a mesa, como se um fosse a continuidade do outro. Na superfície da pele deles, fulgurava uma áurea que a incomodava. Dentro de cada um, podia sentir o pulsar de hecatombe a iluminar sua impenetrável clausura. Reencontrar aquele homem não era tão simples.
Aquilo a perturbava como a luz que afasta os vampiros. A dor de um nó na garganta esmagava-a de maneira alastrada – uma dor, que por ser costumeira, já nem incomodava. Os gestos dele eram os mesmos de tempos atrás: de delicadeza, os mimos dos primeiros tempos. Sabia os caminhos daquele mapa, desvendado por inteiro... Relembrava um começo feliz, desembocado na quase anulação do amor-próprio. Não, não se sentia derrotada. Não se sentia roubada de nada. Sentia-se frustrada pelo sentimento assassinado. Não queria mais tê-lo em seus braços, não idealizava mais dividir seus dias ao lado dele, não lhe feria a presença da estranha – um arquétipo do que ela própria fora; uma descoberta, quiçá, também se revelasse triste...
Ficou. Principalmente para testar o reflexo de si nos olhos dele; para, nesse duelo, medir forças de fracasso. Respirou fundo. Ele passou a notar sua presença, o que o fez perder o controle da direção do olhar e despertar a atenção da namorada para a incômoda presença no balcão. Em cinco minutos, levantaram-se e saíram. À porta, ele ainda arriscou um resto de olhar.
Um pouco entorpecida pelo álcool, voltou para casa. Um banho quente a lavaria desse ranço... Ligou o som. O piano de Sérgio Mendes inundava o apartamento, nos acordes de Tristeza de Nós Dois. Enxuta e limpa, saiu despida do banheiro. Foi até o guarda-roupa, perfumou-se e admirou a própria beleza nua. Para quem? Para muitos e para ninguém... Pegou o batom e, num gesto inédito, encheu o reflexo de inúmeros NADA. Talvez para transbordar aquilo que lhe sobrava... Ela era um monte desse nada que ele lhe abrira, um monte de nada que fechava sua alma a qualquer libertação, a qualquer consolo mais perene.
Até quando choraria esse pranto seco e sem fim, de lágrima alguma? Perdeu o direito de escolher o que se sente, já não interessava saber o reflexo de suas atitudes no coração do próximo.
Hérlon Fernandes Gomes
Brejo Santo - CE

Ele sentia que o silêncio dela esgotara-o por completo. Já tinha dado o tempo necessário para que ela se manifestasse numa atitude mais engajada. Aguardou por uma surpresa que fosse, algo inusitado; mas ela parecia incapaz de algum movimento a esse respeito. E os ideais dele foram novamente de água a baixo...
Talvez a liberdade que se permitiram tenha contribuído para o fim do que não começou. Qual a base de um relacionamento entre dois amantes clandestinos? O que os movia era meramente a química do sexo, essa vontade maluca de um devorar o outro para se arrepiarem no final... Isso era tão explosivo, isso era tão... Mas não era o bastante. Também não havia o que lamentar – não existiam laços que os prendessem; nenhuma história mais consistente seguraria uma conversa mais profunda... A sinceridade com que se tratavam aniquilou qualquer possibilidade de fantasia. Mundos diferentes, gostos diferentes...
Era necessário colocar um ponto final em tudo aquilo porque ele tinha medo de como as coisas se enraizavam sorrateiramente no seu íntimo e não queria ir embora tendo a impressão de ter esquecido uma parte importante de si. A despeito da informalidade que revestia aquele acordo do instinto, escolheu a indiferença pura e simples como resposta a esse final de relacionamento incomum. Sentiu dentro de si todo o cinza que cobria o final da tarde. Precisaria de um guarda-chuva.
Passou a desejar ser o plano feliz de alguém.
Hérlon Fernandes Gomes
12 de Novembro de 2008.

Cara Mary Shelley.
Ele já não assusta mais. Hoje, parece um conto macabro de Edgar Allan Poe – é mais poético do que assustador. Mas em algum momento existiu. Lembro-me dele para me certificar que me exorcizei de seus feitiços, que meu sangue está limpo daquele veneno que se disfarçava de mágica. Olhando a cronologia das fotografias consigo perceber sua erosão em mim, a ruína que se operava de maneira quase imperceptível. E o segredo estava nesse “quase”.
Eu estive definhando, não fisicamente... As fotografias são capazes de registrar além do superficial e é sobre esse segundo plano ao qual me refiro. Não é tão simples de compreender, mas tenho certeza de que outras pessoas são vítimas dessas criaturas atemporais, porque atacam de dia e de noite, sobre todas as maneiras... Vão apagando nossa chama mais importante, vão nos colocando na berlinda, porque o centro do palco deve pertencê-las.
Ele me esvaziava a alma, eu me tornava pequena e resignada. O sol me arrepiava porque a luz me era escassa e isso era um prazer engraçado - como um gozo que, de tão bom, às vezes dói... Eu era a cada dia mais sombra... As fotografias denotam isso: um vulto cada vez mais imperceptível. Eu era a vergonha do medo dele, sua mentira mesquinha camuflada de verdade.
Curei-me na primavera, em dias quando Deus nos presenteia com um dos seus milagres... Minha tristeza me levou até o jardim. Diante de um espelho d'água eu não pude enxergar o meu reflexo. A brisa, que de tão sublime me doeu na face, atentou-me desse infortúnio. Revigorei-me no orvalho das flores, numa esperança que me pousou no ombro, no suspiro profundo que me fez notar as batidas do meu coração.
Insisto em dizer-lhe que as fotografias são as provas incontestes dessa presença e elas me mostram as falsas tintas dessa criatura do medo: tons de uma felicidade postiça de eternidade.
Com votos de que estas linhas encoragem-na, amiga.
Cathy.
Morro dos Ventos Uivantes. Sem tempo.
P.S.: Seguem as fotografias como atestado do que conto. Peço que observe as suas e compare-as também.
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Hérlon Fernandes Gomes
04 de Novembro de 2008 (Madrugada quente)
Para meu amigo Ivan, um caça vampiros digno de um Van Helsing!

Eu sou apenas isto que quero ser neste retorno. Nada me força, nada me compele a nada – é um retorno voluntário, de uma natureza que me faz conhecer qualquer caminho. As ruas estão desertas, apenas um gato preto com uma corrente gravada no pescoço me denota que existem outros humanos além de mim. Além do barulho das scanias na BR que me faz comparar minha solidão a desses caminhoneiros nessas boleias solitárias... Não, não é uma solidão mórbida, nada me causa pena – é apenas contemplativo.
Em casa, um banho finge me revigorar de todo o cigarro, de todo o álcool, de todo este momento que me pertence. As ruas estão desertas – nenhum vivente, apenas eu e essa escuridão surda; apenas eu e Deus... E tudo me preenche, e nada me põe insatisfeito... Já não escolho olhares, já não me construo em desejos que me bastariam, porque todos eles são mesquinhos. Estou me bastando, estou aprendendo a ser mais paciente, a permanecer mais no silêncio, a ouvir o que minha alma me diz sem me prometer uma receita de felicidade.Não há nenhuma emoção ruim que me contamine – eu vou dormir antes disso, eu vou fugir de qualquer feitiço, eu vou sumir de qualquer maldição...
Hérlon Fernandes Gomes
P.S: Para quem mesmo? Queria dedicar a alguém.. Dedico a você que se identifique.

Ela olha para os olhos dele, mas só consegue fita-los bem quando não a encara profundamente, de um jeito que a desconcerta. E são dois portais impenetráveis, escuros, donos de um brilho encantador mas superficial.
Ele é um enigma. Ela tem medo de decifrá-lo, porque teme se descobrir novamente frágil, porque não sabe se juntou forças suficientes para travar batalhas já conhecidas... Ele é quente até nas palavras, e não deixa escapar uma réstia de luz do seu coração. Mulher sente quando homem está
Ela sabe que essa vontade de reconstruir a paixão desacreditada tem prazo de validade. Vai comer chocolates até quando seu cérebro puder ser enganado, porque sua alma em breve se cansará de entender o que parece querer ficar escondido, do que a parece reservar para um segundo plano... Porque ela agora só quer ser plena, porque ela agora só poderá ser o plano perfeito, porque ela agora não se contenta com as migalhas do banquete.
Hérlon Fernandes Gomes
27 de Outubro de 2008.
Para Dr. Jekyll e Mr. Hyde...