quinta-feira, 25 de junho de 2015

quarta-feira, 17 de junho de 2015

“Lúmen”: pra dizer do amor

           

           Já decretaram o fim da poesia. Já apontaram para o não-lugar da poesia na sociedade pós-moderna. Não é necessário nenhum estudo aprofundado para constatarmos o pequeno consumo de poesia no Brasil. Os desafios em publicar um livro são enormes. E não me refiro aos meios digitais e às formas de manipulação literária do presente, mas do velho e bom livro, aquele que a gente pega, folheia, cheira, põe embaixo do braço e com ele viaja, literalmente. Vez ou outra nos deparamos com gente louca, de uma loucura que é bonita e faz bem – os loucos pela literatura, que atraídos pela necessidade de escrever, rompem todas as dificuldades e, por vezes, custeiam sozinhos a publicação dos seus manuscritos. Dentre os loucos que não engavetam os seus poemas apesar dos percalços, está Hérlon Fernandes, autor de “Lúmen: entre as matizes da alma e do coração”, publicado no ano de 2014. O jovem poeta reforça o coro de que a poesia não morreu e nem está prestes a morrer. Apesar de tudo, a poesia vive.
            “Lúmen” habita muitos lugares, é feito de muitas cores e de sentimentos variados: medo, raiva, ilusão, saudade, insatisfação, tristeza, alegria, esperança, paixão. Contudo, é o amor que perpassa todo o texto. Na poesia de Hérlon o amor assume as suas múltiplas faces. O amor é evocado, muitas vezes, a partir de imagens que se opõem ou, ainda, pela negação da existência do sentimento. A presença (ausência) do amor pode ser percebida em tempos de guerra a partir de pequenas fendas por onde se avista um eu lírico dilacerado, como em “Primavera em Bagdá”, onde “o amor desaparece, corriqueiro, pela estrada” em detrimento da violência. Como amar em tempos de guerra? “Lúmen” faz o amor escorregar-se por todos os cantos, mesmo quando a ênfase recai sobre outro sentimento, vê-se a imagem do amor anunciando-se por uma fresta qualquer, fazendo-se contraste, fazendo-nos pensar para além das cinzas produzidas pelas guerras.
            “E de repente, eu me calo; eu emudeço diante da dor do mundo”. A dor do mundo é o que não tem nome, é o que não se pode dizer, é o que nos rouba a fala. E assim, “Lúmen” segue abrindo espaços para que o amor se instale ou, quem sabe, se faça perceber. A delicadeza poética de “Lúmen” reside na necessidade de sentir e de dizer, mesmo que não diga de modo explícito, deixa brechas na linguagem carregada de sentidos. “Cinzas da Guerra”, primeira parte do livro, é composto de muitos tons de cinzas que, ao serem misturados, assumem novas cores, insinua-se o nascer de uma cor que não sabemos ao certo qual é. Nessas pinceladas poéticas o homem é máquina, o rio é solitário e a canção é morna. O que “nos impede de amar” e “nos proíbe de avistar o pôr do sol” é poeira cinza que, no final, se desfaz no espaço. Para além do cinza e das cinzas de todas as guerras, o eu poético reconhece o seu lugar no mundo e, com isso, indica a “chave secreta”.
            Hérlon abre todas as portas e janelas para que, por meio delas, outras cores sejam notadas. Não basta vê-las, é preciso senti-las. Na segunda parte, o azul e as fragrâncias da alma, com todas as suas inquietudes, azul que é azul e outras cores mais, é um convite à vida e é “lembrança do mar”, fios de cor constituindo a memória, aproximando presente e passado, fios que apesar de esgarçados recuperam o afeto, lembrança daquilo que não se deixou desbotar. Azul é a cor escolhida para fazer emergir entre versos de poesia o lugar antropológico de todos nós, o sujeito e as suas raízes.
            Violetas vêm pra dizer de um amor sonhado, assim com diz o vermelho acerca de um amor vivido. Entre a violeta e o vermelho, ocres das desilusões. Nessas cores, o amor assume as suas faces de modo explícito, e o que vemos é um eu lírico que sabe dizer do amor que viu e (não) viveu. O que quer o amor? Ao dizer de um sentimento que se espraia, Hérlon responde essa indagação de diferentes modos, sobretudo por ir além do sentimentalismo, por fazer pensar sobre o amor em tempos difíceis. Falar de amor nunca será piegas – o amor que é de todos. Termino a leitura de “Lúmen” com o desejo de que “o amor cresça, sem as urgências das nossas pressas”.   


Elieudo Buriti, 16 de junho de 2015, Porto Velho/RO
* Graduado em Letras pela Universidade Estadual do Ceará e Mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal de Rondônia.


Fiquei extremamente lisonjeado com a crítica feita pelo amigo e professor Elieudo, um sentidor de alma, e um amante da literatura. Minha poesia se sente envaidecida de suas palavras elogiosas. 

H.F.G

quarta-feira, 13 de maio de 2015

O CONCERTO DA PAIXÃO


Pingam gotas de loucura no devaneio,

O vento sopra ilusões de agonia,


O coração rasteja a sede da incompletude


E se debruça no lago da esperança,


Onde as águas são turvas de incertezas...


Mas há beleza em tudo isso:


Nos palpitares de medo também há luz,


Nas descrenças também há êxtases eternos


E promessas de manhãs ensolaradas.


***


Não se importe se toda a doçura não é pura.


A alma sabe digerir amargos desconhecidos,


Feiuras aparentemente incompatíveis 


Quando a paixão não cala.



Hérlon Fernandes Gomes

sexta-feira, 20 de março de 2015

FORTALEZA



Também preciso ser forte quando não estou,


Até quando me desabo para mim mesmo


E meus escombros me assustam em desolação.


Preciso ser forte quando ninguém me vê,


Já que não preciso camuflar a fragilidade do ser,


Mas preciso acender em mim esse impulso de me resgatar


Porque as sombras não me servem de abrigo,


Gosto do sol nas costas e do conforto do riso.


Não posso deixar que o medo se demore em mim,


Nem que a penumbra escura me carregue em hibernação.


Eu sou da música e do sonho;


Sou da esperança e da paixão.


Preciso ser forte quando já não creio,


Então que a fé esquecida em mim seja império


E me anuncie ao mundo que vale a pena viver!



Hérlon Fernandes Gomes


12 de Março de 2015

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

ADVERTÊNCIA (PARA MAIORES DE 18 ANOS)



Atenção ao deitar-te na cama com um poeta!

Ele é tão comum como os outros.

Os beijos podem ser quentes ou insossos,

Haverá êxtase ou descontentamento.

Diálogos sem fim podem ser travados

Ou a linguagem plena do corpo dominará a madrugada.

Mas atenção, um só detalhe:

Embora a noite se sucumba,

Antes disso,

Se tiveres os olhos d'alma

Talvez te permitas velejar

Na captura leve, doce,

Ensandecida,

Como nunca te sentiras antes.

E, nesse céu, onde os gostos assumem outras intensidades,

Para sempre te percas.





Hérlon Fernandes Gomes


14 de novembro de 2014.


P.S.: Como é bom quando as madrugadas nos enfeitiçam.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

OLHARES, RELÂMPAGOS, AÇOITES



Eu posso imaginar a umidade do teu perfume nu sobre a cama e a maciez da tua pele leitosa a iluminar a penumbra.

Eu desconfio que teu gozo acontece de olhos fechados, enquanto sorris de êxtase para o mundo.

Suponho que, nesse prazer, existe um silêncio de tua presença a dizer tanto de ti mais que se me descrevesses teus sentidos.

Ensaio meus dedos no ar, como a acariciar tua nuca e espalhar o feitiço dos teus cabelos negros pela madrugada...

Ah, se teus olhos pousassem nos meus, um pouco além do que um relâmpago de açoite, eu me instalaria para sempre em ti, penetrando teu insondável íntimo, e te roubaria para a terra da liberdade, onde pecado é ter medo de ser feliz.

***

Não haverá canto do teu corpo que eu não desvende com meus beijos;

Não transcorrerá segundo vago entre nós que eu não preencha de doçura, de quenturas, eternidades e explosões de encanto.


Hérlon Fernandes Gomes
29 de Maio de 2014.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

FAXINA NA ALMA





Todos temos dias cinzas, de silêncios de chumbo, de choros escondidos debaixo do chuveiro, por trás dos óculos escuros. Sim, todos temos dores inconfessáveis, frustrações que se acumulam pelos cantos da alma. O que precisamos fazer é afogar tudo isso, por mais que não se possa, com truques de mágica, fazer sumir esses escombros de nós. Passemos, portanto, nossa vassoura, nem que seja timidamente, nessa sujeira. Não acumulemos nossas lamúrias; não transformemos nossas angústias em bibelôs de estimação, nem exibamos nosso sofrimento só para mendigar um carinho qualquer. Não existe luz em nós quando nos cobrimos de sombras. Mantenha os óculos escuros, chore sozinho debaixo do chuveiro e mate suas dores de desprezo! Sempre existirão fagulhas de esperança e força no nosso íntimo, capazes de nos despertar para o inconcebível de nós mesmos.




Hérlon Fernandes Gomes

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

FOGO-FÁTUO


As paredes me assombram com o eco de tuas palavras,

O chão está coberto da areia dos teus sapatos

E eu tenho medo e preguiça de varrer o que restou de ti.

Os lençóis me iludem com o teu cheiro natural,

E a cama nunca foi tão grande e insone. 

Meu corpo está marcado por teus beijos e carícias, 

Arrepio-me quando me toco ao relembrar nosso ritual de amor.

***

O relógio se cansa para calcular o tempo que nos separa, 

É preferível contemplar as estrelas

A medir florestas e desertos que nos distanciam.

Ainda assim, é tudo tão vivo de presente,

É tudo tão doce e palpável 

Que esse futuro adiado me anima,

Esse destino de degredo não me desola.

Eu me cubro de esperanças,

Aceito viver de lembranças 

E me acorrento aos fantasmas que restaram de ti.


Hérlon Fernandes Gomes, Lúmen. 

P.S.: Este foi o último poema de Lúmen, uma das coisas mais verdadeiras que gostei de escrever.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

PASSIO



A cegueira da paixão,


Aquela inconsequente e suicida,


De entrega absoluta, de irresponsável senso...


Temo que as frestas de minha visão estejam destrancadas
E agora, de olhos abertos,


Eu não consiga mais mergulhar nesse abismo sem fundo, de tantos perfumes e sensações devastadoras.


Já quebrei todos os meus ossos


E chorei todos os rios de desilusão.


A cegueira se dissipou e me atracou no cais,


Onde os pés se fincam firmes


E a razão é meu império de conforto.


Meu coração sente falta da deriva do desejo,


Do desconforto da espera,


Do alvoroço do encontro.


***


Meu coração jovial sabia ter cor na guerra.



Hérlon Fernandes Gomes, 12 de Janeiro de 2014.



O olhar de Glauber Oliveira, talentoso fotógrafo brejossantense, tem-me inspirado a mergulhar no imaginário dessas fotografias.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

O HOMEM QUE ENGARRAFAVA NUVENS


Afinal, o Cariri é cearense? Como caririense da gema, natural de Brejo Santo e perambulador entre as cercanias de Juazeiro do Norte e do Crato, lugares de onde reconheço minha formação intelectual, cultural e, portanto, humana, devo afirmar, confirmando as suspeitas de muitos dos meus conterrâneos, que o Cariri é meio Ceará e meio Pernambuco, assim como a parceria musical de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.

Hoje, minha aparente noite de quarta-feira insossa foi coroada com uma surpresa de poesia através do Canal Brasil: o documentário O Homem Que Engarrafava Nuvens (2010). Dirigido por Lírio Ferreira, esse belo trabalho explora o gênio do compositor Humberto Teixeira - cearense de Iguatu que, juntamente com Luiz Gonzaga - o pernambucano de Exu, foram alma e corpo do baião brasileiro, esse ritmo universal.

Guiado sob o enfoque de Denise Drummond, filha de Humberto, o documentário traça um paralelo entre o homem e o artista que formam esse gênio do sertão, da mesma maneira em que alarga o compasso para traçar o ângulo infinito de alcance desse ritmo que é uma quintessência para a Bossa Nova, Tropicália, o rock and roll de Raul Seixas e até a fabulosa tese de que tenha influenciado Bob Marley, na longínqua Jamaica, a criar o reggae.

O filme é aquilatado por depoimentos dos mais instigantes ou trechos de performances musicais, como os de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Sivuca, Gal Costa, David Byrne, Fagner, Belchior, Mutantes, Elba Ramanho, Alceu Valença, Cordel do Fogo Encantado, Otto, Bebel Gilberto... Tudo isso para formar uma colcha de retalhos onde, em cada pequena e rara estampa, está a marca de Humberto Teixeira, um sentidor da alma sertaneja que universalizou nossa cultura através do baião, esse ritmo sem fronteiras.


Distante da minha terra, do meu Cariri saudoso, eu me arrepiei durante a exibição do filme e tanto me envaideci por ser cearense, por ser caririense, por viver essa dicotomia pernambucano-cearense. Vale muito a pena assisitir para se sentir orgulhoso de ser brasileiro, para se prestigiar o rico trabalho de Lírio Ferreira, idealizador de um roteiro magnífico e diretor deste que é um dos melhores documentários já produzidos até então. 

Hérlon Fernandes Gomes

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

PÁSSAROS SEM CANÇÃO - UM ROMANCE DE CORAGEM




O bom contador de histórias é aquele que, conhecedor de sua trama, faz com que o leitor/ouvinte se deixe suspenso na teia da expectativa montada pelo seu criador.

O Sr. Jards Nobre, natural de Quixadá, no Ceará, não obstante toda a formação acadêmica que lhe garanta segurança na sua escrita, parece mesmo ter herdado, esse dom de romancear fatos, desses conhecidos contadores de ‘causos’ que habitam os interiores do sertão cearense - dada sua invejável capacidade de prender o leitor nas suas expectativas deixadas ao fim de cada capítulo.

 O jovem escritor de que ora se trata, no entanto, traz em sua algibeira da mente histórias que não se lançam em qualquer roda de prosa, porque seu signo de provocação seria dissonante para ouvidos hipócritas, tão comuns na falseada sociedade dita batuta da moral e dos bons costumes.

O romance Pássaros sem Canção é, antes de tudo, um livro corajoso, universal, nascido em tempo de estação; é, por isso, fruto exótico, maduro, de gosto incomum dessa árvore quixadense, rara e espinhosa como o mandacaru.

Livro corajoso porque essa polêmica história de amor entre dois rapazes adolescentes, no interior do sertão nordestino, pode ser publicada em uma época onde a liberdade de expressão é garantia constitucional de ordem neste País; sobretudo quando as instituições garantidoras das liberdades individuais vêm sanando as omissões legais e ignominiosas deixadas ao longo do tempo na sociedade brasileira.

Livro universal porque carrega como tema o amor proibido, o amor que deve se sublimar e fenecer diante de dogmas, de regras preestabelecidas e incontestáveis para os que não têm medo de ousar.

Bernardo Guimarães, ao escrever seu romance O Seminarista, obra-prima do Romantismo brasileiro, ‘obrigou-se’ a matar a heroína da história bem como a enlouquecer o protagonista Eugênio, porque uma história de amor, a contrariar o celibato, seria escandalosa demais para ser aceita em uma época tão marcada pelos valores cristãos.

Adolfo Caminha, cearense como Jards Nobre, ao publicar Bom-Crioulo, não imaginaria que a  história de amor entre dois marinheiros, um negro e um loiro, de fim trágico, fosse lhe render a expulsão do cargo que ocupava na Marinha brasileira. De igual modo, notórias foram as angústias sofridas por Raul Pompéia, o que lhe levou supostamente ao suicídio, quando da publicação de O Ateneu, obra também naturalista, que disseca as descobertas sexuais das mais variadas, incluindo as homoafetivas, entre alunos de um respeitado internato.

O assunto, pois bem, não é novo; mas a forma como é posto, sim.

Pássaros sem Canção não é um livro de gueto, não é um livro de militância homoafetiva. A polêmica história desse amor proibido, embora seja o núcleo nevrálgico do romance, desemboca em outras sendas de relevante importância a desenharem o mapa de uma sociedade hipócrita, que salvaguarda as atitudes grotescas do fazendeiro capitalista Armando; que coroa a atitude complacente e submissa da mulher sertaneja Júlia; que conforma o destino fatal de jovens moças embrenhadas pela caatinga, como Corrinha e Adelina, à mercê de casamentos arranjados ante a falta de perspectiva trazida pelo semianalfabetismo e falta de outras oportunidades...

Se Pássaros sem Canção traz o agouro da tragédia em si, é por outro lado um banquete onde os instintos se entregam a mais absoluta liberdade, na clara alusão do zoomorfismo, tão própria dos naturalistas, de quem o Sr. Jards Nobre é um grande discípulo.

Todo o enredo é desenrolado, como agradável novelo de lã, por um narrador experiente, que vai montando seu quebra-cabeças e enfeitiça o leitor com a vontade de que a próxima peça seja colocada para que se tenha, por fim, a visão completa desse ‘árido-movie’, rodado entre juremas, estradas de chão batido e seixos, banhos de barragem, luares do sertão e aquele nó na garganta que só se desengasga com lágrimas sinceras.


É por fim, uma história de amor, que apesar de nascer em tempos de liberdade, não se pereniza. Como a flor do mandacaru, é espécime exótica incrustada por espinhos e de vida efêmera; mas prenúncio de boas promessas, pois traz em si o gosto da esperança.

Hérlon Fernandes Gomes

07 de Novembro de 2013.

terça-feira, 14 de maio de 2013

O VIAJANTE



Há essa corrida cega e incansável do meu coração,

Essa promessa pelo porto tranquilo onde atraque o suspiro contido de descanso.

Há esse desejo pelo encontro do precipício sem fundo

Onde eu derrame os mares de solidão insossa que me adulteram a saliva

E  borram de esquecimento  lembranças de beijos que deveriam ser eternas...

Essas vontades todas se enchem de esperanças no sono,

Oram, antes de adormecer, por um amanhã de plenitude

Onde o presente da sede seja um banho de chuva,

A saudade da paixão empoeirada se coroe no matrimônio de almas

E a felicidade nasça, enfim, com a espontaneidade das flores sem nome,

Que se multiplicam sem porquê e vestem a nudez dos meus caminhos.


Hérlon Fernandes Gomes, 13 de Maio de 2013.